Folclore

Folclore cabofriense – Reis-de-boi

Auto popular apresentado durante o ciclo natalino para homenagear os Reis Magos. Este folguedo, que já foi muito popular em todo o Estado do Rio de Janeiro, atualmente está reduzido a um grupo único, em Arraial do Cabo, no município de Cabo Frio. Para este grupo, o aspecto mais significativo da manifestação é o de que é uma brincadeira que “existe para divertir e alegrar o povo”.

O auto se inicia com a louvação, feita do lado de fora da residência que vão visitar. Segue-se o pedido de licença para entrar, após o que, já no interior da casa, começam as brincadeiras do boi. Os que assistem à representação participam também da brincadeira, quando o boi investe contra eles, assustando-os e fazendo-os fugir.

Personagens

Dos personagens do auto, o boi é o mais importante. Dentro dele vai um homem que, para dar mais suspense e emoção à brincadeira, deve permanecer incógnito. A armação do boi é feita de bambu ou madeira flexível, com enchimento de folhas secas de bananeira, capim e estopa. Cobre-se a armação com papelão e fazenda estampada. Uma caveira de boi, acolchoada com espuma, é presa ao corpo. Forra-se tudo com tecido branco e pintam-se olhos, nariz e boca. O rabo é feito de uma trança de pano ou corda desfiada. Numa abertura feita na parte superior do lombo do boi fica um homem, que segura essa armação colocando as mãos em duas alças de madeira existentes no costado e usando duas cordas-suspensórios, que saem da traseira e do pescoço do boi. Por cima de calças comuns, usa uma espécie de camisolão branco, comprido e solto, sem mangas, franzido no pescoço. Usa na cabeça, além da máscara um chapéu de cartolina, em feitio de cone ou — o capacete — feitado com papel colorido.

Dentre os personagens, destacam-se: o carreiro, que vai à frente do boi, veste-se com calças de cetim branco, blusão de cetim verde, máscara e capacete enfeitado;

Pai Mateus e Pai João, calças vermelhas de cetim, blusão branco, máscaras e capacetes, levam nas mãos um bastão, enfeitado com papel colorido e um guizo na ponta;

As catirinas, quase sempre em número de três, usam blusas brancas de cetim, saias vermelhas e aventais brancos, chapéus de palha enfeitados com tiras de papel crepom. São as acompanhantes, nas danças, dos personagens masculinos e vividos por moças da região, ao contrário do que se verificava anos atrás, quando os homens se disfarçavam travestidos nas catirinas.

Click to comment

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

To Top