O acervo

A pesquisa que resultou neste acervo é especializada nas áreas da pré-história, história, geografia, biologia, ecologia, arte, cultura, além de uma vasta iconografia regional. Nesta primeira fase de tratamento foram selecionadas 10 caixas de material prioritário que foram separadas uma segunda vez pelo critério do interesse público, e enfim, transformadas em conteúdo digital. A prioridade foi a digitalização das dezenas de encadernações dos trabalhos realizados pelo historiador, principalmente através da sua empresa UNA Cultural, que serão disponibilizados no site por etapas. Além das matérias publicadas a seu respeito e sobre sua pesquisa e livros em importantes jornais e revistas nacionais, além de sua biografia e galeria de fotos.

A Jornalista Maria Werneck, junto ao Webdesigner Vinícius Paixão, premiada em 1º lugar pelo PROEDI – Programa Municipal de Editais de Fomento e Difusão Cultural – 2014, da Secretaria Municipal de Cultura de Cabo Frio, com apoio técnico do IPHAN e do IFF – Campus Cabo Frio, conseguiram disponibilizar os principais estudos de Marcio Werneck nesse site. Através de um trabalho realizado em diversas etapas e por uma equipe multidisciplinar, foi possível a digitalização e sistematização desse material, que vem trazer informação e conhecimento gratuito ao público de uma maneira geral.

O tratamento técnico arquivístico do acervo Marcio Werneck contou com o trabalho e a dedicação dos professores Paulo Roberto Araújo e João Christovão e dos seguintes estudantes do Curso de Hospedagem do IFF-Campus Cabo Frio: Vanessa Gomes da S. Rodrigues, Lorenna L. S. de Lima, Débora Evelyn Santos da Conceição, Marina Schmidt Alves Garcia e Felipe Pereira dos Santos. E ainda com Thais Gouveia Ferreira, estudante de graduação do Curso de História da Universidade Estácio de Sá, Campus Cabo Frio. Sem contar, é claro, da guarda e conservação deste acervo por Penha da Silva Leite, viúva e participante do processo de criação junto a Marcio Werneck e aos seus filhos Pedro Leite Werneck da Cunha e Ondina Leite da Cunha Gladulich que confiaram neste trabalho.

 

“Sobre Papéis, Pessoas e a Memória

Tive a oportunidade de conhecer Marcio Werneck no final de sua vida. Lembro-me que fui recebido por ele e sua esposa em sua casa. Pouco tempo depois, ele faleceria. Sua obra, porém, conheci anos mais tarde. Primeiro o seu arquivo. A grande quantidade de material que ele coletou ao longo de mais de 30 anos de trabalho me impressionou.

Quando conheci melhor essa documentação, aí me dei conta de que estava realmente conhecendo aquela pessoa, embora ela não estivesse mais entre nós. Explico. Aquilo que um autor amealha ao longo de sua vida profissional e nós, pesquisadores arquivistas ou simplesmente curiosos chamamos de “acervo” é, para todos os efeitos, uma imagem mais real daquela pessoa do se tivéssemos a oportunidade de encontramo-nos com ela mais uma vez.

Ao longo de vários anos, conheci inúmeros arquivos sejam eles pessoais ou de instituições. Em nenhum deles deixei de ter a impressão de que aqueles papéis são retratos fiéis dos seus proprietários. Ouso dizer que são mais eloquentes do que aqueles retratos que mandamos fazer julgando que podemos assim garantir nosso lugar na posteridade.

Engano, penso eu. O que deixamos é o que pensamos e registramos. É com esses traços que os que ficaram vão pintar o nosso retrato. Esse acervo é o registro de alguém que passou a maior parte de sua vida preocupado com a memória da cidade que o acolheu. Consultá-lo é atender o seu maior desejo, não deixar que essa memória pereça.”

Paulo Roberto de Araujo – Historiador (UFRJ). Coordenador do tratamento técnico dos acervos Marcio Werneck IPHAN/IFF-Cabo Frio; Arquivo Carlos Scliar, Cabo Frio; Centro de Documentação Histórica-Universidade Severino Sombra, Vassouras-RJ

 

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