Prédios históricos

Forte São Matheus

Ainda em 1617, Martim de Sá, que considerava a Fortaleza de Santo Inácio fácil de ser conquistada por naus inimigas, prosseguiu as gestões administrativas para desmontá-la e construir um novo forte em Cabo Frio. D. Luiz de Souza, Governador do Brasil, após consultar Lisboa, aprovou o projeto e transferiu a responsabilidade das obras para Martim de Sá em 1618.

Uma carta do superior da Aldeia de Índios de São Pedro enviada ao Governador do Brasil em 1620, revelou que a nova fortificação de Cabo Frio já estava em funcionamento nesse ano. Nela, Estevão Gomes abrigava provisoriamente algumas famílias Goitacazes que logo seriam transferidas para o estabelecimento dos jesuítas. No mapa “Terra de Cabo Frio“ (anônimo, c.1625), observa—se o forte velho localizado junto ao porto da Araruama e o novo próximo a praia (numa ilhota mais elevada, a cavaleiro da barra).

Presume—se que o material de construção reaproveitável (pedras, madeiras e telhas), os sete canhões de bronze e os 12 soldados da antiga fortaleza de Santo Inácio fossem remanejados para obra, armamento e guarnição do novo Forte São Matheus. O nome de batismo em homenagem ao evangelista talvez deva ser creditado a data de comemoração de São Matheus no calendário cristão, 27 de setembro, dia da vitória portuguesa sobre os franceses da “Casa de Pedra” em 1575, que resultou no massacre ou escravidão de cerca de 20 .000 Tupinambás.

Em 1648, o Governador do Rio de Janeiro, Salvador Correia de Sá, a pretexto de combater os holandeses em Angola, retirou os canhões e a guarnição do Forte São Matheus, abandonando os 24 moradores que permaneceram na cidade de Cabo Frio a sua própria sorte. A instalação da Câmara, Cadeia e Igreja Matriz no atual centro urbano, entre 1660 e 1661, leva a crer que as autoridades de Cabo Frio e do Rio de Janeiro tenham novamente armado e guarnecido o Forte São Matheus para defesa da Cidade ressurgente.

Durante o século XVIII, o Forte São Matheus estava armado com sete canhões, um de 12 polegadas, quatro de seis e dois de oito, sendo que o maior achava—se arruinado no final desse período. Ainda, segundo o autor anônimo da “Memoria Histórica (…) de 1797″ a guarnição da fortaleza compunha—se de “um oficial e sete soldados, destes um era de cavalaria e todos eram sujeitos as ordens de um oficial do terço, ou regimento de milícia de Cabo Frio”.

Em 1818, o naturalista Saint—Hilaire descreveu o Forte São Matheus como uma “mesquinha casa a que é dado o nome pomposo de fortaleza. Estava “guardado por seis soldados da milícia que se renovam de quinze em quinze dias, e são mandados por um simples cabo. Este é obrigado a dar aviso ao coronel do distrito, da entrada e saída de embarcações que passam pelo ancoradouro”.

Porém, o Imperador D. Pedro II, comandante—chefe das forças militares brasileiras, ao visitar a Cidade de Cabo Frio em 1847, fez questão de conhecer o invicto Forte São Matheus, “onde foi recebido com uma salva imperial de artilharia” e recepcionado pelo “Tenente Francisco José da Silva”. Antes de ser deposto em 1889, o Imperador promoveu o rearmamento das fortalezas brasileiras, encomendando grande quantidade de peças de artilharia, entre elas, cinco canhões de ferro de grosso calibre até hoje existentes no Forte São Matheus.

Do início do século XVIII ao final do XIX, foram feitas algumas modificações na planta da fortaleza, mas conservou—se o uso militar na defesa da Cidade de Cabo Frio e do porto lacunar – quase único escoadouro da produção regional para o Rio de Janeiro.

Em 1899, o Forte São Matheus passou a ser usado pelas autoridades municipais como “lazareto”, abrigando doentes terminais das graves epidemias que assolavam Cabo Frio a época.

Décadas mais tarde, sem manutenção, o Forte São Matheus foi abandonado e já se encontrava em ruinas no final dos anos 30. O aumento das correntes turísticas para Cabo Frio no início da década de 60, carreou alguns investimentos públicos na superestrutura receptiva da Cidade.

A Flumitur – Companhia de Turismo do Estado do Rio de Janeiro restaurou a fortaleza, sob a responsabilidade técnica do Prof. AdaiI Bento Costa, com o objetivo de instalar um museu que não chegou a ser aberto.

1 Comment

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  1. Elizabeth Franco

    outubro 3, 2016 at 10:52 am

    Bom dia! Por ventura teria esse mapa “Terra de Cabo Frio“ (anônimo, c.1625)? Obrigada.

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